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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

POR JOSÉ ALDO: OS PERCALÇOS DO FUTEBOL CEARENSE: A CULPA É SEMPRE DO TÉCNICO?

Os 2 últimos artigos tratei de temas ligados à política. Neste presente texto, no entanto, o assunto futebol emerge. 
Por que irei tratar deste assunto? Não sei se o leitor percebeu na semana passada, mas os três times da capital cearense – Ceará, Ferroviário e Fortaleza – tiveram como mesmo fio condutor a demissão dos seus respectivos técnicos. Não falarei do caso do treinador do Ferroviário, Marcelo Villar, em virtude do mesmo ter sido contratado por um time do Maranhão. Tratarei, especificamente, dos casos do Ceará e do Fortaleza.

Pelo fato dos dois times terem sido desclassificados precocemente na Copa do Brasil gerou uma insatisfação de ambas as torcidas e dos dirigentes. Mas analisando friamente o caso foi apenas tal justificativa que gerou as demissões de Gilmar Dal Pozzo e Hermeson Maria? Tanto Ceará como Fortaleza são reféns dos seguintes aspectos: resultados positivos e títulos. 
O primeiro deseja chegar na série A. Já o segundo, por sua vez, deseja sair da incomoda série C. 

Gilmar Dal Pozzo deixou o Ceará com um índice de 62% de aproveitamento. Foram 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Já Hermeson Maria teve um aproveitamento abaixo da crítica: 5 vitórias, 6 empates e 2 derrotas, ou seja, um resultado próximo de 40%. Independente dos números o futebol cearense merece respeito com o seu torcedor. Treinador x ou y não é culpado se determinado jogador não tem o mesmo desempenho constante nas partidas.

Técnico de futebol não tem culpa se seu time joga, ataca o adversário mas a bola não entra pelo fato do acaso na partida. Presidentes de clube, dirigentes são os verdadeiros culpados pelo “entra e sai” de técnico. 
O futebol precisa ter continuidade, andamento de trabalho. Demitir treinador por um resultado adverso ou mesmo por um “capricho” do futebol é desestimular a torcida de continuar apoiando o seu time ou de acompanhar o futebol, de modo geral. Muitos times não conseguem os resultados esperados e acabam implodindo financeiramente e politicamente falando.

Aliás, o futebol tornou-se um negócio altamente lucrativo. Lucrativo para as TVs,  bem lucrativo para os patrocinadores e, em especial, para um grupo seleto de clubes mundiais. Isso sem falar dos produtos a serem vendidos todos os dias que o futebol traz consigo. Será que com esse mercado da bola não dá para exigir jogos de qualidade ou times que realmente se interessem em jogar partidas excelentes?

Demitir técnicos de futebol a cada resultado adverso não há continuidade do trabalho, ou seja, um padrão técnico de qualidade no time. Enquanto se paga salários milionários, fora dos padrões do mercado de trabalho os jogos se tornam cada vez piores. Será que realmente é tudo culpa do técnico? 


JOSÉ ALDO CAMURÇA.

 Doutorando em Filosofia pela UFC. Professor Substituto da UECE. Professor Efetivo da Rede Estadual de Ensino do Ceará.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

POR JOSÉ ALDO: O PODER DE ESCOLHA DURANTE A CRISE NACIONAL DA SEGURANÇA PÚBLICA.

A semana que passou foi marcada pela polêmica da escolha do novo integrante do Supremo Tribunal Federal, STF. O presidente Michel Temer indicou o nome do ex-ministro da justiça Alexandre de Moraes. Renomado advogado no âmbito da intelectualidade jurídica, o possível nome a substituir a vaga de Teori Zavascki, possui alguns problemas quanto à sua indicação.

O primeiro desses problemas é a sua formação política. Alexandre de Moraes é filiado ao PSDB e foi secretário de Justiça e de segurança nos governos Alckimin. Não bastasse esse problema de natureza ideológica-partidária, o mesmo já se pronunciou, por diversas vezes, que o ministério da Justiça pode interferir nas investigações da lava-jato. E outro problema que ele também carrega consigo são algumas declarações “desastrosas” que o mesmo fez acerca da situação dos presídios de Roraima/Rondônia no início do ano.

Ora, tais fatos maculam a imagem de Alexandre de Moraes. Mesmo porque um ministro de Estado não pode se comportar como se fosse candidato a cargo eletivo. Deve existir isenção, impessoalidade no serviço público. O caso específico em questão não é encontrada essa impessoalidade na figura de Alexandre de Moraes. Para incrementar ainda mais esse “embrólio” político, ocorrera ainda na semana passada uma espécie de sabatina não-oficial entre alguns senadores com o ex-ministro da Justiça. 

O mais engraçado, para não dizer absurdo, é que tal sabatina está marcada oficialmente para o dia 22/02. Sem falar ainda que alguns desses ditos senadores que participaram desse encontro informal estão envolvidos em processos abertos da lava-jato. Nos bastidores a indicação de Temer ao nome de Alexandre de Moraes seria um indicativo de que a operação lava-jato tomará um novo rumo.

Para os que estão com nome envolvido nessa situação seria um alívio, um refresco a posse de Alexandre de Moraes. Isso porque o mesmo poderá barrar, arquivar processos de investigados que estão no governo. Por outro lado, Michel Temer sai fortalecido e ainda “blindado” de possíveis ações judiciais contra ele. Não esqueçamos também que um dos membros do STF é Gilmar Mendes. Com a chegada de Alexandre de Moraes poderá ocorrer mais conservadorismo, mais ataques contra os princípios democráticos de direito. Isso porque Gilmar Mendes além de ser partidário a Fernando Henrique Cardoso seus posicionamentos políticos vão de encontro aos princípios da Justiça. O forte conservadorismo atrelado a uma defesa de seus correligionários poderá, isso sim, prejudicar os rumos da lava jato ou de qualquer ação contra Michel Temer, Aécio Neves e companhia limitada.

Toda essa situação é ocasionado pela falta de clareza quanto à escolha de novos integrantes da justiça brasileira nos tribunais. É prerrogativa do presidente da república escolher tal representante a partir de uma lista triplice. O problema em tal escolha é que falta critérios claros, transparentes em saber da conduta do postulante ao cargo.
Cargos como membro do STF, TSE e outros deveriam passar por um critério público de escolha. Dito de outro modo, por que não o povo, a sociedade escolher os membros da esfera judiciária? Ou mesmo por que não o instituto do concurso público como critério para afastar possíveis especulações acerca do nome de fulano ou sicrano? No Brasil, desde que “o mundo é mundo”, prevalece a indicação política. Critério este carregado de vícios e de atos de corrupção.

Um exemplo da falta de critério nas indicações foi o nome de Eliseu Padilha. Este senhor está envolvido em diversas delações na operação lava-jato. Mesmo assim, o presidente Temer quer porque quer nomeá-lo como ministro de Estado. Alguns membros do judiciário já se posicionaram contra ao nome de Padilha. Ainda assim, a posse dele é uma grande incógnita se tal fato irá ocorrer ou não. Caso semelhante ocorrera com Lula na época de sua indicação à Casa Civil ainda no governo Dilma.

O fato concreto é: critérios mais claros, seguros e confiáveis da escolha dos membros do judicário brasileiro. Enquanto isso, há um caos generalizado na segurança pública do País: morte nos presídios, greve da polícia no Espírito Santo, o Rio de Janeiro atrasou o salário dos políciais desde dezembro de 2016 etc etc. Caso essa situação continue nos próximos meses, voltaremos ao estado de natureza dos filósofos contratualistas. Ou seja, aquele estado de selvageria, de guerra de todos contra todos será uma tônica da crise de segurança pública brasileira. 


JOSÉ ALDO CAMURÇA.

Doutorando em Filosofia pela UFC. Professor Substituto da UECE. Professor Efetivo da Rede Estadual de Ensino do Ceará.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

POR JOSÉ ALDO: A MORTE COMO SÍMBOLO DA “PACIFICAÇÃO” DA POLÍTICA BRASILEIRA.

A morte da ex-primeira dama Marisa Letícia na última semana trouxe a tona a seguinte tônica da disputa política atual no Brasil: um momento de trégua entre PT, PSDB e alguns outros partidos políticos envolvidos na operação Lava-jato. 
A emblemática cena do ex-presidente Fernando  Henrique Cardoso abraçando o ex-presidente Lula mostrou o quanto a dor da perda de um ente querido apazigua os corações mais duros, incrédulos. Sem falar ainda que traz uma “bandeira branca” na guerra pela disputa pelo poder no Brasil. 

Na história política brasileira do século XX algumas mortes tiveram algumas simbologias peculiares. Em 1954, por exemplo, com o suicídio de Vargas adia o projeto dos militares por 10 anos. Em 1967 o presidente Castelo Branco morre em um acidente de avião. Em seu lugar assume Costa e Silva. 
Já em 1985 a morte de Tancredo Neves foi a mais traumática. Isso porque o País começara a sair do regime militar e a figura de Tancredo representava o novo, a esperança por dias melhores. 
Porém, com a sua morte houve uma indefinição quanto aos rumos do País e, consequentemente, o receio da retomada militar foi especulado na época. O vice de Tancredo, José Sarney, assume a presidência tentando desvincular-se dessas especulações que pairaram em sua posse.

Voltando ao tempo atual, a morte da “dona” Marisa Letícia traz um elemento bastante pessoal por um lado e político por outro. Na primeira perspectiva deve ser considerada a pessoa Marisa Letícia, que além de conviver matrimonialmente com o ex-presidente Lula construiu ao lado do marido o PT, Partido dos Trabalhadores. Na segunda perspectiva, por sua vez, a situação política atingiu o seu lado mais frágil, sensível. 

Com o instituto da “delação premiada”, atrelado aos escândalos do PT nos últimos anos e ainda a espetacularização do judiciário (subtende-se as ações do Juiz Sérgio Moro), o coração da “dona” Marisa não suportou a sobrecarga/ a avalanche de emoções e situações. 
Mesmo porque tais ações judiciais atingem os membros de sua família. Do marido (hoje viúvo) aos filhos, a família de dona Marisa está envolvida em situações que merecem ser melhor explicadas. Tal sobrecarga de denúncias atinge a qualquer pessoa em seu aspecto mais íntimo. Marisa Letícia, infelizmente, foi mais uma vítima desse turbilhão político vivido no Brasil atualmente.

A lava jato antecipou o processo eleitoral de 2018 em 3 anos, aproximadamente. De 2014 até o presente artigo, várias delações aguardam o referendo do STF para serem divulgadas. O peso político de tais denúncias se torna uma incógnita no mundo político. Isso porque todos os partidos com os nomes mais renomados, “badalados” estão envolvidos direta ou indiretamente. 
Se por um lado a eleição de 2018 está longe, por outro as ações do Juiz Sérgio Moro e as divulgações dessas denúncias na grande imprensa podem atrapalhar os planos de Lula, por exemplo, em retornar ao palácio do planalto. Sem falar ainda que a pressão da sociedade por sua prisão torna as suas chances de vencer a disputa quase que “impossível”.

Porém, como dizia um determinado político cearense, “a política é dinâmica”. Dito de outro modo, muita coisa poderá acontecer, ou não, no jogo político. A morte de Marisa Letícia pode até ter trazido dor, sofrimento ao ex-presidente Lula, Mesmo assim, do ponto de vista estratégico, pragmático da política poderá trazer algum fôlego ao ex-presidente quanto aos seus planos eleitorais em 2018. 
Mesmo assim Lula precisa cuidar agora de outro problema: as delações da ODEBRECHT  que serão divulgadas nas próximas semanas.

Caso alguma dessas delações forem encontradas provas materiais, cabais de seu envolvimento, Lula poderá ter decretado a sua “morte política” no próximo pleito. Diante desse cenário tão incerto, duvidoso é preciso aguardar os próximos passos desse tabuleiro de xadrez complexo da política brasileira. 
Mesmo porque o governo Temer ainda está funcionando, apesar dos pesares. As reformas da previdência, trabalhista também poderão decretar a morte política de Temer em 2017. 

Percebe-se, portanto, que a morte de dona Marisa Letícia não é algo apenas isolado, à parte  da vida particular de uma família. Interliga-se a uma série de fatores que podem gerar várias mortes políticas. As ações de 2017 determinarão quem sorrirá no final da história em 2018. Ou ainda, as ações de 2017 podem representar a continuidade do ano trágico, mortal como foi 2016. 



JOSÉ ALDO CAMURÇA.

Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor substituto da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Professor efetivo da Educação Básica do Ceará (SEDUC). Contato: aldolike@gmail.com

domingo, 8 de janeiro de 2017

CEARENSE PRECISA IR PRA CHINA. ALUNO DA UFC CONSEGUE VENCER O DESAFIO DO AÇO DAS AMÉRICAS, A FINAL É NA CHINA.

O estudante Jeová Melo da Universidade Federal do Ceará (UFC) conseguiu vencer o 'Steel Challenge'  O Desafio do Aço, uma importante competição do mundo na área de siderurgia.
Jeová Melo, está cursando o quarto semestre de Engenharia Metalúrgica, e é o campeão da América na categoria estudantil. 
Ele e outros três estudantes da UFC estão no ranking dos cinco melhores de toda a América.

O desafio que fez Jeová ser destaque entre os muitos outros bons concorrentes era o de “fabricar” o aço mais barato do mundo. Jeová conseguiu se destacar após apresentar, propor e projetar o custo do aço mais barato do mundo; U$ 216,94 por tonelada, o menor preço da disputa.

Equipe da Universidade federal do Ceará no 'Steel Challenge'

Existe uma equipe; além de Jeová, outros quatro jovens fazem parte da equipe da UFC e ficaram em segundo, quarto, quinto e sexto lugares, respectivamente: Jamil Nobre de Castro, Emmanuel Almeida, Stefano Feitoza e Fabrício Braga. 

A etapa mundial do 'Steel Challenge', ocorre em abril de 2017, em Pequim, na China.
Na disputa pela vitória do desafio; representantes de 37 países. Agora vencido o desafio na América, Jeová busca patrocínio de empresas da área, para custear "os gastos que irão leva-lo à China."