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quarta-feira, 15 de março de 2017

POR JOSÉ ALDO: A REFORMA DO ENSINO MÉDIO: O QUE ISSO IMPLICA PARA O ENEM 2017?

Há algum tempo reluto em emitir uma opinião como professor acerca da Reforma do Ensino Médio. Isso porque não pode ser considerada “reforma” algo que venha a prejudicar os estudantes e os profissionais da educação como um todo. 
Semana passada, porém, o MEC (Ministério da Educação) divulgou algumas mudanças para a aplicação do ENEM neste ano. Diante de um assunto tão importante como este, o artigo desta semana tratará das implicações da reforma do Ensino Médio e qual impacto dessas mudanças para o Exame Nacional do Ensino Médio.


"O GOVERNO TEMER EMPURROU AS DISCUSSÕES DA REFORMA A NÍVEL APRESSADO." José Aldo.

É público e notório que o governo Temer empurrou as discussões sobre este tema da reforma a nível apressado/atropelado. As discussões acerca do tempo de aula das disciplinas, a base nacional comum e da implantação paulatina da escola de tempo integral estavam adquirindo outro patamar durante os governos Lula/Dilma. 
Sem contar ainda que com a “criação” do 9 ano do ensino fundamental (2009), a obrigatoriedade do ensino de Filosofia/Sociologia nos 3 anos do Médio (2006/2008), a criação da Rede Federal dos Institutos Federais (2008), a criação do Piso nacional dos professores (2008/2009), o REUNI (2007) dentre outras, a educação básica e o ensino superior ganharam mais investimentos e profissionais nos últimos 10 anos.


CONQUISTAS AMEAÇADAS.

A partir do Governo Temer, porém, tais conquistas estão sendo ameaçadas. Quando digo ameaçadas é no sentido de que esse porte financeiro para manter esses projetos podem ser pulverizados nos próximos anos. 
Você tira como exemplo a diminuição orçamentária de algumas Universidades no ano passado. Dentre elas, a UFC teve um corte de mais de 20 milhões de reais. Diante deste cenário de crise financeira que o Brasil atravessa, a equipe econômica de Michel Temer lança algumas medidas impopulares para tentar equilibrar as contas públicas.


MEDIDAS IMPOPULARES.

Uma destas medidas são as “benditas” reformas da previdência e trabalhista. No caso de nós, educadores, a reforma do ensino médio atinge-nos diretamente. Medidas como a não obrigatoriedade de matérias como Filosofia, Sociologia, Artes e Educação física trouxe a tona o seguinte questionamento: que modelo de educação que queremos para os nossos filhos? 
Além do ataque a essas matérias, a disciplina de espanhol foi atingida também. 
No lugar de essa matéria ser trabalhada nos 3 anos do médio, a mesma passaria para o ensino fundamental. Em seu lugar o inglês tornar-se-ia obrigatória. Sem esquecer ainda que disciplinas como História e Geografia perderiam o caráter obrigatório.


"OS ATAQUES CONTRA A EDUCAÇÃO VIERAM COM TODO GÁS." José Aldo.

Percebe-se então que os ataques contra a educação vieram com “todo gás”/com toda força. Completando essa situação dramática, temos o fato do notório saber. Ou seja, pessoas podem ministrar aula sem serem formadas naquele tema; basta apenas ter anos de experiência na área em questão e pronto, estará contratado. 
Mesmo o governo justificando essa aplicação para os casos de ensino técnico, mas abre uma brecha para a precarização do modelo educacional vigente. 


A PROPOSTA DA CRIAÇÃO DO "MEDIOTEC" NO CENÁRIO CEARENSE.  

E por falar em precarização, a propaganda oficial afirma ainda que a criação do “mediotec” proporcionará a chance do estudante de entrar no mercado de trabalho. Contudo, analisando o caso do Estado do Ceará com suas escolas profissionalizantes vemos que este “oásis” de oferta de emprego não é bem assim. 
Não há condições para o mercado absorver a demanda anual de estudantes concluintes do ensino médio. Mesmo que estes tenham experiência, as empresas não conseguem pagar em dia o quantitativo de impostos que um jovem funcionário acarreta na folha salarial.


"HÁ UM INCHAÇO DE JOVENS DESEMPREGADOS QUE NÃO CONSEGUEM LOCAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO." José Aldo.

Consequentemente, há um inchaço de jovens desempregados que não conseguem colocação no mercado de trabalho. Ou seja, o governo atual “cobre uma parte do lençol, mas deixa descoberta a outra parte do corpo”. Com efeito, o modelo atual de reforma educacional não atende as reais exigências de uma educação inclusiva e pública para todos. 
A escola não é só Matemática, Português e Inglês como disciplinas obrigatórias. Ela é muito mais ampla e que merece ser estudada de um modo mais aprofundada. Até porque uma escola que queremos deve repassar aquilo que os jovens merecem e que estão no cotidiano de suas vidas. E claro, uma escola que ouça todos os lados para que encontremos um denominador comum. 


"CASO OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO NÃO SE UNAM CONTRA ESSES ATAQUES, DECRETAREMOS A NOSSA PRÓPRIA EXTINÇÃO." José Aldo.

Infelizmente até o nosso trabalho está sendo ameaçado. Medidas como a “Escola sem partido” ou mesmo a Lei da mordaça tentam castrar a autonomia e a liberdade de expressão do trabalho docente. 
É inaceitável que existam educadores que queiram eliminar o ganha pão de seu trabalho com posturas altamente conservadoras. Caso os profissionais da educação não se unam contra esses ataques, decretaremos a nossa própria extinção.


AS MUDANÇAS NO ENEM 2017.

Mas e o ENEM, ele não será atingido? É mais fácil dizer o futuro ganhador da mega sena do que responder a esta pergunta. Em 2017 a sua aplicação ocorrerá em 2 domingos seguidos: 05/11 e 12/11. 
Tal mudança foi solicitada por mais de 60% de estudantes que não mais aceitavam o modelo antigo de 2 dias seguidos de prova. Para uns foi uma mudança benéfica no sentido de ter um fôlego a mais de estudo. Para os críticos, o cansaço e a tensão de participar do ENEM poderão prejudicar aos candidatos nervosos. 


"VAMOS AGUARDAR SE ESSAS MUDANÇAS TRARÃO MAIS EFEITOS POSITIVOS OU NEGATIVOS." José Aldo.

Em seu aspecto prático, vamos aguardar se essas mudanças trarão mais efeitos positivos do que negativos. Mesmo assim, o INEP promete que o ENEM sofrerá algumas mudanças em seu estilo de prova. 
A começar, um caderno de prova mais atraente visualmente com questões mais curtas. Isso sem falar que a prova, futuramente, incluirá alguns conteúdos do ensino técnico a partir de 2018 ou 2019. Se isso realmente atrairá o estudante a concluir o ensino médio é uma grande incógnita. 
De qualquer forma não esperemos flores deste governo no que tange à educação. Os ataques e a retirada de direitos continuarão até que não sobre mais profissional da educação básica. 




JOSÉ ALDO CAMURÇA.

Doutorando em Filosofia pela UFC. Professor Substituto da UECE. Professor Efetivo da Rede Estadual de Ensino do Ceará.

quarta-feira, 8 de março de 2017

POR JOSÉ ALDO: O QUE DEVEMOS PAGAR NESTE INÍCIO DO ANO?

Após o carnaval (por esse motivo não escrevi artigo na semana passada), o brasileiro deve se preocupar com as contas do início do ano. É IPTU, IPVA, material escolar dentre outros. Fora tudo isso vem ainda o “Leão” com o imposto de renda, insaciável na sua busca de aumentar os cofres da receita pública do Brasil. Mas será que ainda temos outras contas, dívidas a pagar? O texto de hoje tentará mostrar outras dívidas que o brasileiro possui e ainda não sabe.

Uma dessas dívidas são os casos de corrupção do País. O brasileiro não sabe, mas o tanto de imposto que ele paga devido aos atos de corrupção não se encontra em nenhum livro didático. A propósito, as novas revelações dos empresários pertencentes ao grupo ODEBRECHT  não me deixam mentir. Parece que o senso de realidade ou de falta dela não se limita aos homens públicos de Brasília. Isso sem falar que os presídios não vão comportar/suportar os mais de 200 políticos citados nestas delações. 

Outra dívida que ainda não pagamos mas que será cobrada é a reforma da previdência. As discussões do Congresso estão a todo o vapor e do jeito que está o rolo opressor do Presidente Temer aprovará a tal reforma. O lado ruim dessa história é que todo o trabalhador, sem exceção, irá ser punido com essas medidas. Além de arrocho salarial, anos a mais para chegar em uma aposentadoria integral e as taxações exorbitantes dos inativos inflacionarão cada vez mais ao INSS. Sem falar ainda da idade de 65 anos para homens e mulheres. Um escárnio esse tipo de propositura. 

A dívida esportiva também não pode ser esquecida. Neste mês de março, a seleção brasileira jogará duas partidas decisivas para o seu futuro das eliminatórias. Uma contra o Uruguai e outra com o Paraguai.Imaginar que a 1 ano atrás quase, a seleção sofria com o técnico Dunga e o seu jeito de treinar a seleção. Não esquecendo ainda que estávamos na sexta posição e hoje, porém, estamos em primeiro lugar. Como o mundo do futebol dá um giro de 360 graus. Impressiona demais essa realidade. 

A dívida econômica, infelizmente, será dificil sair dela. Isso porque a crise se extende a passos largos. É desemprego, é a presença de placas como “aluga-se”/”vende-se” em todos os lados, enfim, a situação tá feia mesmo. Tão feia que nem chegou o dia 10 e o meu salário está a “mingua” com tantos gastos a pagar. Estou pensando seriamente em ter algumas aulas de educação financeira, pois do jeito que a coisa anda ficarei no vermelho por algum tempo.

E a dívida moral? Bem, esse tipo levará algumas décadas para o brasileiro pagar. Isso porque  após a lava-jato há várias tentativas de encerrar as suas investigações. Enquanto isso, os escândalos se avolumam de um modo desenfreado. Caso alguma coisa não seja mudada o brasileiro continuaŕá a perder o seu orgulho próprio. Ora, se este fala mal dos políticos e de si próprio imagina com baixa auto estima o quanto de critícas pesadas o brasileiro irá fazer em seu cotidiano. 

Agora, uma pergunta eu faço que não quer calar: com todos esses tipos de dívidas o brasileiro tem algum motivo de estar feliz consigo mesmo e com o seu povo? Será que teremos paciência para quitar com estes endividamentos? E ainda, quando será o dia em que o brasileiro não  irá passar a noite em claro pensando em qual pagamento fazer ou selecionar aquele prioritário em mente? São peguntas que eu não tenho responde-las enquanto sentenças definitivas. Sei apenas que estamos vivendo e é isso que basta para o momento atual.

E você, qual dívida ainda tem a pagar neste início de ano? Com a palavra, os leitores deste e dos futuros artigos. 


JOSÉ ALDO CAMURÇA.

Doutorando em Filosofia pela UFC. Professor Substituto da UECE. Professor Efetivo da Rede Estadual de Ensino do Ceará.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

POR JOSÉ ALDO: OS PERCALÇOS DO FUTEBOL CEARENSE: A CULPA É SEMPRE DO TÉCNICO?

Os 2 últimos artigos tratei de temas ligados à política. Neste presente texto, no entanto, o assunto futebol emerge. 
Por que irei tratar deste assunto? Não sei se o leitor percebeu na semana passada, mas os três times da capital cearense – Ceará, Ferroviário e Fortaleza – tiveram como mesmo fio condutor a demissão dos seus respectivos técnicos. Não falarei do caso do treinador do Ferroviário, Marcelo Villar, em virtude do mesmo ter sido contratado por um time do Maranhão. Tratarei, especificamente, dos casos do Ceará e do Fortaleza.

Pelo fato dos dois times terem sido desclassificados precocemente na Copa do Brasil gerou uma insatisfação de ambas as torcidas e dos dirigentes. Mas analisando friamente o caso foi apenas tal justificativa que gerou as demissões de Gilmar Dal Pozzo e Hermeson Maria? Tanto Ceará como Fortaleza são reféns dos seguintes aspectos: resultados positivos e títulos. 
O primeiro deseja chegar na série A. Já o segundo, por sua vez, deseja sair da incomoda série C. 

Gilmar Dal Pozzo deixou o Ceará com um índice de 62% de aproveitamento. Foram 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Já Hermeson Maria teve um aproveitamento abaixo da crítica: 5 vitórias, 6 empates e 2 derrotas, ou seja, um resultado próximo de 40%. Independente dos números o futebol cearense merece respeito com o seu torcedor. Treinador x ou y não é culpado se determinado jogador não tem o mesmo desempenho constante nas partidas.

Técnico de futebol não tem culpa se seu time joga, ataca o adversário mas a bola não entra pelo fato do acaso na partida. Presidentes de clube, dirigentes são os verdadeiros culpados pelo “entra e sai” de técnico. 
O futebol precisa ter continuidade, andamento de trabalho. Demitir treinador por um resultado adverso ou mesmo por um “capricho” do futebol é desestimular a torcida de continuar apoiando o seu time ou de acompanhar o futebol, de modo geral. Muitos times não conseguem os resultados esperados e acabam implodindo financeiramente e politicamente falando.

Aliás, o futebol tornou-se um negócio altamente lucrativo. Lucrativo para as TVs,  bem lucrativo para os patrocinadores e, em especial, para um grupo seleto de clubes mundiais. Isso sem falar dos produtos a serem vendidos todos os dias que o futebol traz consigo. Será que com esse mercado da bola não dá para exigir jogos de qualidade ou times que realmente se interessem em jogar partidas excelentes?

Demitir técnicos de futebol a cada resultado adverso não há continuidade do trabalho, ou seja, um padrão técnico de qualidade no time. Enquanto se paga salários milionários, fora dos padrões do mercado de trabalho os jogos se tornam cada vez piores. Será que realmente é tudo culpa do técnico? 


JOSÉ ALDO CAMURÇA.

 Doutorando em Filosofia pela UFC. Professor Substituto da UECE. Professor Efetivo da Rede Estadual de Ensino do Ceará.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

POR JOSÉ ALDO: O PODER DE ESCOLHA DURANTE A CRISE NACIONAL DA SEGURANÇA PÚBLICA.

A semana que passou foi marcada pela polêmica da escolha do novo integrante do Supremo Tribunal Federal, STF. O presidente Michel Temer indicou o nome do ex-ministro da justiça Alexandre de Moraes. Renomado advogado no âmbito da intelectualidade jurídica, o possível nome a substituir a vaga de Teori Zavascki, possui alguns problemas quanto à sua indicação.

O primeiro desses problemas é a sua formação política. Alexandre de Moraes é filiado ao PSDB e foi secretário de Justiça e de segurança nos governos Alckimin. Não bastasse esse problema de natureza ideológica-partidária, o mesmo já se pronunciou, por diversas vezes, que o ministério da Justiça pode interferir nas investigações da lava-jato. E outro problema que ele também carrega consigo são algumas declarações “desastrosas” que o mesmo fez acerca da situação dos presídios de Roraima/Rondônia no início do ano.

Ora, tais fatos maculam a imagem de Alexandre de Moraes. Mesmo porque um ministro de Estado não pode se comportar como se fosse candidato a cargo eletivo. Deve existir isenção, impessoalidade no serviço público. O caso específico em questão não é encontrada essa impessoalidade na figura de Alexandre de Moraes. Para incrementar ainda mais esse “embrólio” político, ocorrera ainda na semana passada uma espécie de sabatina não-oficial entre alguns senadores com o ex-ministro da Justiça. 

O mais engraçado, para não dizer absurdo, é que tal sabatina está marcada oficialmente para o dia 22/02. Sem falar ainda que alguns desses ditos senadores que participaram desse encontro informal estão envolvidos em processos abertos da lava-jato. Nos bastidores a indicação de Temer ao nome de Alexandre de Moraes seria um indicativo de que a operação lava-jato tomará um novo rumo.

Para os que estão com nome envolvido nessa situação seria um alívio, um refresco a posse de Alexandre de Moraes. Isso porque o mesmo poderá barrar, arquivar processos de investigados que estão no governo. Por outro lado, Michel Temer sai fortalecido e ainda “blindado” de possíveis ações judiciais contra ele. Não esqueçamos também que um dos membros do STF é Gilmar Mendes. Com a chegada de Alexandre de Moraes poderá ocorrer mais conservadorismo, mais ataques contra os princípios democráticos de direito. Isso porque Gilmar Mendes além de ser partidário a Fernando Henrique Cardoso seus posicionamentos políticos vão de encontro aos princípios da Justiça. O forte conservadorismo atrelado a uma defesa de seus correligionários poderá, isso sim, prejudicar os rumos da lava jato ou de qualquer ação contra Michel Temer, Aécio Neves e companhia limitada.

Toda essa situação é ocasionado pela falta de clareza quanto à escolha de novos integrantes da justiça brasileira nos tribunais. É prerrogativa do presidente da república escolher tal representante a partir de uma lista triplice. O problema em tal escolha é que falta critérios claros, transparentes em saber da conduta do postulante ao cargo.
Cargos como membro do STF, TSE e outros deveriam passar por um critério público de escolha. Dito de outro modo, por que não o povo, a sociedade escolher os membros da esfera judiciária? Ou mesmo por que não o instituto do concurso público como critério para afastar possíveis especulações acerca do nome de fulano ou sicrano? No Brasil, desde que “o mundo é mundo”, prevalece a indicação política. Critério este carregado de vícios e de atos de corrupção.

Um exemplo da falta de critério nas indicações foi o nome de Eliseu Padilha. Este senhor está envolvido em diversas delações na operação lava-jato. Mesmo assim, o presidente Temer quer porque quer nomeá-lo como ministro de Estado. Alguns membros do judiciário já se posicionaram contra ao nome de Padilha. Ainda assim, a posse dele é uma grande incógnita se tal fato irá ocorrer ou não. Caso semelhante ocorrera com Lula na época de sua indicação à Casa Civil ainda no governo Dilma.

O fato concreto é: critérios mais claros, seguros e confiáveis da escolha dos membros do judicário brasileiro. Enquanto isso, há um caos generalizado na segurança pública do País: morte nos presídios, greve da polícia no Espírito Santo, o Rio de Janeiro atrasou o salário dos políciais desde dezembro de 2016 etc etc. Caso essa situação continue nos próximos meses, voltaremos ao estado de natureza dos filósofos contratualistas. Ou seja, aquele estado de selvageria, de guerra de todos contra todos será uma tônica da crise de segurança pública brasileira. 


JOSÉ ALDO CAMURÇA.

Doutorando em Filosofia pela UFC. Professor Substituto da UECE. Professor Efetivo da Rede Estadual de Ensino do Ceará.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

POR JOSÉ ALDO: A MORTE COMO SÍMBOLO DA “PACIFICAÇÃO” DA POLÍTICA BRASILEIRA.

A morte da ex-primeira dama Marisa Letícia na última semana trouxe a tona a seguinte tônica da disputa política atual no Brasil: um momento de trégua entre PT, PSDB e alguns outros partidos políticos envolvidos na operação Lava-jato. 
A emblemática cena do ex-presidente Fernando  Henrique Cardoso abraçando o ex-presidente Lula mostrou o quanto a dor da perda de um ente querido apazigua os corações mais duros, incrédulos. Sem falar ainda que traz uma “bandeira branca” na guerra pela disputa pelo poder no Brasil. 

Na história política brasileira do século XX algumas mortes tiveram algumas simbologias peculiares. Em 1954, por exemplo, com o suicídio de Vargas adia o projeto dos militares por 10 anos. Em 1967 o presidente Castelo Branco morre em um acidente de avião. Em seu lugar assume Costa e Silva. 
Já em 1985 a morte de Tancredo Neves foi a mais traumática. Isso porque o País começara a sair do regime militar e a figura de Tancredo representava o novo, a esperança por dias melhores. 
Porém, com a sua morte houve uma indefinição quanto aos rumos do País e, consequentemente, o receio da retomada militar foi especulado na época. O vice de Tancredo, José Sarney, assume a presidência tentando desvincular-se dessas especulações que pairaram em sua posse.

Voltando ao tempo atual, a morte da “dona” Marisa Letícia traz um elemento bastante pessoal por um lado e político por outro. Na primeira perspectiva deve ser considerada a pessoa Marisa Letícia, que além de conviver matrimonialmente com o ex-presidente Lula construiu ao lado do marido o PT, Partido dos Trabalhadores. Na segunda perspectiva, por sua vez, a situação política atingiu o seu lado mais frágil, sensível. 

Com o instituto da “delação premiada”, atrelado aos escândalos do PT nos últimos anos e ainda a espetacularização do judiciário (subtende-se as ações do Juiz Sérgio Moro), o coração da “dona” Marisa não suportou a sobrecarga/ a avalanche de emoções e situações. 
Mesmo porque tais ações judiciais atingem os membros de sua família. Do marido (hoje viúvo) aos filhos, a família de dona Marisa está envolvida em situações que merecem ser melhor explicadas. Tal sobrecarga de denúncias atinge a qualquer pessoa em seu aspecto mais íntimo. Marisa Letícia, infelizmente, foi mais uma vítima desse turbilhão político vivido no Brasil atualmente.

A lava jato antecipou o processo eleitoral de 2018 em 3 anos, aproximadamente. De 2014 até o presente artigo, várias delações aguardam o referendo do STF para serem divulgadas. O peso político de tais denúncias se torna uma incógnita no mundo político. Isso porque todos os partidos com os nomes mais renomados, “badalados” estão envolvidos direta ou indiretamente. 
Se por um lado a eleição de 2018 está longe, por outro as ações do Juiz Sérgio Moro e as divulgações dessas denúncias na grande imprensa podem atrapalhar os planos de Lula, por exemplo, em retornar ao palácio do planalto. Sem falar ainda que a pressão da sociedade por sua prisão torna as suas chances de vencer a disputa quase que “impossível”.

Porém, como dizia um determinado político cearense, “a política é dinâmica”. Dito de outro modo, muita coisa poderá acontecer, ou não, no jogo político. A morte de Marisa Letícia pode até ter trazido dor, sofrimento ao ex-presidente Lula, Mesmo assim, do ponto de vista estratégico, pragmático da política poderá trazer algum fôlego ao ex-presidente quanto aos seus planos eleitorais em 2018. 
Mesmo assim Lula precisa cuidar agora de outro problema: as delações da ODEBRECHT  que serão divulgadas nas próximas semanas.

Caso alguma dessas delações forem encontradas provas materiais, cabais de seu envolvimento, Lula poderá ter decretado a sua “morte política” no próximo pleito. Diante desse cenário tão incerto, duvidoso é preciso aguardar os próximos passos desse tabuleiro de xadrez complexo da política brasileira. 
Mesmo porque o governo Temer ainda está funcionando, apesar dos pesares. As reformas da previdência, trabalhista também poderão decretar a morte política de Temer em 2017. 

Percebe-se, portanto, que a morte de dona Marisa Letícia não é algo apenas isolado, à parte  da vida particular de uma família. Interliga-se a uma série de fatores que podem gerar várias mortes políticas. As ações de 2017 determinarão quem sorrirá no final da história em 2018. Ou ainda, as ações de 2017 podem representar a continuidade do ano trágico, mortal como foi 2016. 



JOSÉ ALDO CAMURÇA.

Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor substituto da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Professor efetivo da Educação Básica do Ceará (SEDUC). Contato: aldolike@gmail.com

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

EM BUSCA DE VAGAS, DEZENAS DE PESSOAS DORMEM NA EEM ADAUTO BEZERRA, HÁ 4 DIAS DO INÍCIO DAS MATRÍCULAS!

Nessa quinta-feira, 26 de janeiro, acompanhamos dezenas de pessoas que há 4 dias do início das matrículas já estão acampados na escola de ensino médio Adauto Bezerra, no bairro de Fátima em Fortaleza.
Para garantir a vaga dos filhos, sobrinhos e netos na escola que é da rede pública do governo do estado do Ceará, até as 20h dessa quinta-feira (26/01) mais de 50 pessoas já formavam uma grande fila e para tentar manter um mínimo de conforto, eles levaram para a quadra poliesportiva da escola; colchões, redes e pequenas barracas.

A escola Adauto Bezerra é referência em aprovações em vestibulares e exames como o ENEM, a coordenadora da escola, Otávia Marreiros, acredita que esse é um dos motivos da grande procura por vagas na instituição. 


Otávia Marreiros explica que a instituição irá tentar dar o máximo de suporte aos que já estão na escola à procura de vagas. "As famílias que estão aqui depositam confiança na escola Adauto Bezerra, e de certa forma nós fazemos o máximo para suprir essas expectativas." diz Otávia.

A dona Isabel Cristina mora no bairro Serrinha, um pouco distante da EEM Adauto Bezerra, ela conta que veio na escola que fica no bairro de Fátima na última quinta-feira (19/01) em busca de uma vaga para o seu filho Matheus de 14 anos que irá cursar o 1º ano do ensino médio, mas a data de início das matrículas havia sido modificada.
Isabel foi a primeira pessoa a chegar na escola nessa quinta-feira, 26 de janeiro, ela chegou às 06 horas da manhã. A dona Isabel e as outras dezenas de pessoas que estão na fila, só irão ser atendidas na segunda-feira, 30 de janeiro.

Otávia Marreiros coordenadora da escola afirma que infelizmente a gestão escolar não pode adiantar a entrega de fichas e senhas. "Nós (gestão escolar) ficamos até um pouco constrangidos, eu digo em relação ao estado, até porque o ideal era que em todos os bairros, mais próximo das casas das pessoas, elas se sentissem mais confortáveis e confiantes para que matriculassem seus familiares em escolas mais próximas." Explica Otávia.

"O fato da escola Adauto Bezerra ser de qualidade, é ela ser pública! Que é o que faz com que a gente faça o melhor trabalho que conseguir." Afirma a coordenadora da instituição.

Foto: Ronilson Pereira.

sábado, 14 de janeiro de 2017

ESCOLA PÚBLICA DO BAIRRO DE FÁTIMA EM FORTALEZA PROMOVE MUTIRÃO COM ESTUDANTES PARA DOAÇÃO DE SANGUE.

Nessa sexta-feira, 13 de janeiro, a escola Adauto Bezerra, referência no ensino público do estado do Ceará, promoveu um mutirão para doação de sangue, a ação aconteceu em parceria com os estudantes da instituição de ensino e o HEMOCE (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará).

A ação obteve sucesso e foi realizado durante à manhã e a tarde na instituição de ensino no bairro de Fátima, em Fortaleza. Otacílio Bessa é o diretor da escola Adauto Bezerra e concedeu entrevista ao blog gente.
A entrevista você confere ainda aqui nessa matéria.

A ação foi realiza no bairro de Fátima, na instituição de ensino.

O mutirão para a doação de sangue é parte das atividades da SABI (Semana Adauto Bezerra de integração) uma feira que reúne estudantes da instituição que apresentam à comunidade escolar e a sociedade de Fortaleza; temas de interesses sociais.

A Escola Adauto Bezerra, assim como outras escolas públicas do Ceará, enfrentou dificuldades no ano letivo de 2016, a gestão do governador Camilo Santana não é bem avaliada pelos estudantes do ensino público. A escola Adauto Bezerra contornou essas dificuldades que encontrou e dá à sociedade fortalezense um exemplo de instituição amiga do cidadão.
Confira aqui a entrevista com Otacílio Bessa, diretor da escolar Adauto Bezerra;